Esporte no Brasil: meritocracia excludente ou ferramenta de inclusão social?

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A partir do estabelecimento da Nova República, entre os anos 90 e 2000, o Brasil contou com avanços que foram além da estrutura democrática, ao ser implantado, no país, o Ministério dos Esportes. Nessa perspectiva, a prática de atividade física passou a ser disseminada em solo nacional, nos últimos anos, não só como uma via de melhoria da qualidade de vida, mas também como promotora de inclusão social. Nesse sentido, o papel do esporte na manutenção dos valores sociais em consonância à melhoria dos indicadores escolares de jovens e crianças praticantes traz à tona a importância do investimento governamental no setor.

É indubitável que as atividades desportistas possuem grande influência na formação moral dos cidadãos. Nesse aspecto, o sociólogo Émile Durkheim, em seus trabalhos sobre determinismo, afirma que os indivíduos sofrem influência do meio ao qual estão inseridos, no que tange à construção das suas personalidades. Sob essa óptica, os jovens brasileiros que possuem contato com projetos esportivos, seja nas escolas ou em comunidades, estão muito mais propícios a desenvolver disciplina, ética e a criar laços afetivos ou senso de pertencimento. Desse modo, o esporte atua como promotor de valores morais, bem como inclusão social.

Somado a esse aspecto, as atividades físicas coordenadas auxiliam ainda o desempenho escolar dos jovens e crianças praticantes. Nesse sentido, dados do projeto “Segundo Tempo” – Instituto governamental de incentivo à prática desportista – estimam que cerca de 97,2% dos infantes cadastrados no projeto, em áreas de vulnerabilidade social, estejam matriculados na escola e com notas acima da média. Sob essa perspectiva, os sensos de disciplina e comprometimento trazidos pelo esporte refletem nos resultados acadêmicos dos infantes, o que se torna fundamental para o desenvolvimento desses como cidadãos e futuros profissionais.

Infere-se, portanto, que a atividade esportiva estende sua importância do campo da saúde para os âmbitos morais e educacionais, ao tempo em que atua como agente de inclusão social. Desse modo, a fim de perpetuar essa cultura no Brasil, é imperioso que o Ministério dos Esportes, em parceria com os governos locais, promova a expansão dos programas desportivos existentes aos diversos bairros e comunidades, através do estabelecimento de quadras e piscinas, além de promover campeonatos locais com premiação, a fim de estimular o engajamento dos cidadãos. Além disso, urge à família, em associação com a escola, o estímulo dos jovens à prática de exercícios, por meio de aulas e debates com a comunidade acerca dos benefícios do esporte, de forma que esses possam utilizar como ferramenta de ascensão social e qualidade de vida. Assim, o determinismo de Durkheim pode atuar de maneira positiva sobre a sociedade brasileira.

Texto de Stefanie Muritiba
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